25 de março de 2011
Há um mês fiz 31 anos, estava com meu filho, estava feliz come ele, mas chorei muito.
Hoje começo uma jornada, a busca da cura, onde pretendo preparar meu coração para pensar em amar.
A decepção de uma mentira de quem amei demais, petrificou meu peito e agora parto pelo rio , na baía do Guamá na pobreza de um paulista que observa a cidade se distanciando e as luzes minguando. Aqui minhas lágrimas não fazem sentido, o rio se encarrega da abundancia.
Amanhã deixo meus dreads no primeiros raios de sol, pretendo renascer.
26 de Março de 2011
Ainda não joguei os dreads no rio, vou aguardar o por do sol. Estou deitado em minha rede, bem na beira da balsa, onde o sol entrou rasgando esta manha, sem se preocupar com as minhas lágrimas. Sorte a dele, meu olhos secaram e a ele lhe resta as águas do rio por onde estamos passando.
Oxum com sua marra e seu capricho matou Oxossi e pagou por isso quando viu a cara de Oxossi na face de Logun-Edé, seu filho….não sei sobre as regras, mas entendo a poesia natural dos Orixás. Talvez por isso eu jogue uma parte dos meus dreads no Rio Xingu. Acredito na simbologia dos meus ancestrais, dando sentido a ela, que sabe eu possa dormir novamente e viver novamente, sem pensar nessas ultimas mentiras. Quem somos, o que fazemos, onde queremos ir, atualmente só penso no quanto fui enganado, sem saber a quanto tempo isso durou, uma mentira pode durar por anos, mas….preciso me livrar delas…..
26 de Março de 2011
Eu conto as horas, os minutos, os segundos, eu só vejo aguá e floresta, barcos e balsas e as crianças das águas, são muitas crianças e me sinto nada perto disso tudo.
Meu conforto na solidão desse rio é pensar em Ébano e o quanto um sorriso dele agora, seria bom.
26 de Março de 2011
Não sei quanto você mentiu, apenas lembro, apenas penso.
Quantas vezes eu te liguei, quantas vezes você disse; te esperei. Disse que me amava e e não podia mais me esperar, mais não se preocupe, um carnaval sem beijo, um carnaval sem corpos, só preciso caminhar, só preciso navegar….eu idiota me conformei, acreditei. Eu também te esperei, foi a minha vez, eu te amava e em quatro dias, o carnaval iria ter fim, quarta-feira de cinza iria chegar. Mas nem tudo iria se salvar, você já pertencia a outro falar, um falar da mentira, do engano, da pena, do dó, seu corpo mentia e eu já seria e sou um homem só, sozinho. Sem você, sem nada, sem ninguém, com quantas mentiras você me fez refém, do desejo, da vontade, da ilusão de ser feliz com alguém. não pode ser tarde, o carnaval vai voltar ano que vem e até lá, eu te apaguei.
27 de março de 2011
Faz algum tempo que eu desejo um domingo, um estilo família brasileira, dia de churrasco, batata-doce, rúcula, macarrão.
Foda…meu ideal de Família é uma merda.
Meus domingos de verão foram, choro, solidão e tristeza. Salvo os programas do Esquenta e salvo alguns que estive em Campinas com a Família Expresso, ou com a Família Tainã em Campinas.
Estou feliz que as águas de março fecharam esse verão, foi pura ossada, estava desde sexta numa Balsa, atravessando os rios da amazônia, pra chegar aqui em Porto de Moz.
Sai de Belém umas 18h na sexta, e cheguei hoje, domingo, umas 10:30 da manhã. Um amigo veio me receber, me colocou num Hotel e disse que voltava mais tarde.
Hoje é domingo, dia de almoçar só.
Fechado num quarto de hotel, hoje é o ultimo dia do programa da Regina Casé, o Esquenta, nunca vi tanto preto e preta na Rede Globo, achei massa, achei que o Samba voltou pra TV, o samba no Brasil é o sobrenome da Mãe Africa, ele merecia.
Mas também achei que podia ter trazido seu irmão, o RAP, senti falta do RAP, Rap de Negão, Rap da Favela, mas tenho fé de que, quem é do RAP se inspirou vendo os velha-guarda do Samba, assim espero, assim tenho fé.
Eu assisto esse programa e choro pra caramba, fico sacando a história do povo humilde, os filhos sem pai, as alegrias de um avô, as benção dos mais velhos e a tentativa de conviver em paz com tanto diferença.
Meu filho está a mais de 3000km de distancia, infelizmente o respeito que tinha pela mãe dele chegou ao fim e eu lamento que meu filho esteja no meio dessas decepções. A saudade dobra nos domingos e quando assisto esses programas eu desmancho….esses dias pensei em escrever mil coisas, minha mente não tem descansado, e sempre que chega a depressão, fico e penso em argumentos, heróis, histórias, penso nos mestres, nas vitórias….tenho que fazer isso bem rápido e esperar o dia passar rápido também, porque a qualquer instante a tristeza vem me visitar, basta me pegar sozinho e calado….
vou até o bar…ver as pessoas na rua
hoje num dá mais pra continuar….
31 de Março de 2011
São 6 horas de barco até Souzel, saindo de Porto de Moz.
Penso em coisa fina, tudo combina,
Luiz Melodia, minha sintonia
cheiro de terra
casa de madeira..