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Ao Redor…

E nessas conversas de espelho, o tempo invadiu o quarto numa labareda de Sol. Ele veio me dizer que estou muito bem sorrindo. Vai vendo(…) Acho que sorri, não lembro bem, é um momento meio que …que sentir e estar no limbo. Mas é o que eu faria, se me lembrasse.

Tenho vivido assim. Em alguns segundos de tempo, o tempo me lembra de sorrir para ele e  ele me elogia. Fizemos um acordo pelo sorriso de viver em liberdade. O tempo é o tempo, e eu sou eu , porém sorrimos e seguimos.

Sinceramente, também acho que ele tem suas crises e nesses momentos o limbo se distancia e a realidade cinza e tensa, ocupa minha “sala de vida estar”. Estar com elementos ao redor às vezes sugere um centro, uma busca, um caminho, uma certeza. Eu posso ter as minhas, mas não posso colidir com o tempo e com resto do mundo “ao redor”.

 Foto: Pedro Belasco

Esses momentos de nitidez, e os momentos com o espelho são como imagens refletidas em gotas de água. Quando a gota cai no chão, a beleza desaparece e resta apenas o sinal de que ela caiu ali. No minuto seguinte o tempo faz sua parte e logo a água evapora.

Meu sorriso é feito de gotas de orvalho. Ele aparece em algumas manhãs.  Meu sorriso é como gotas de sereno. Nem toda noite ele cai.

Não me deixe sem sorrir.

O espelho pode ser quebrado

E o Tempo (…)  posso transformà-lo em samba.

o fogo

lenha, caldeirão , colher de pau e fogo

muito fogo

feijão fradinho
vatapa
cana
bala
feijão preto
farofa
frango
pimenta
quiabo
arroz
rapadura
pipoca
milho branco

gente preta
gente minha
coisas lindas
tambores
flores
pretas velhas
riso
mais riso
gargalhadas
panos
olhos coloridos
rima
rimadores
cores

corres

Mestres da Terra
do cosmos

Africa,
meu lugar
meu ideal
minha alma esta zelada
guardada
abençoada

e na fumaça da noite a pele descansa
mas a chama continua acesa

o fogo não se cala

 

 

CARURU na CASA DO BONECO- ITACARÉ-BA

OJO

Entre as curvas, entre os tempos, a qualquer minuto, a mata cai ao chão. Existe uma estrada, um caminho, uma passagem. A lama da claridade se anuncia. Não me abrigo mais em gotas de chuva, nem entre as folhas de bananeira.

Eu marco minha guerra com o tempo. Não aceito, não perdoo, não paro. Sim, eu sigo, eu posso recomeçar. Eu estive com o tempo antes e conquistei com ele a busca pela sabedoria. Tudo foi nos drinks ilegais, nos amores imorais, na sinceridade dos segundos, ganhei de ti o meu Talismã dos Erons.

Aprendeste comigo a travar suas guerras e por isso terás que respeitar o campo de batalha. Não vou partir sem asas. O casulo se abriu. Quaisquercoisas de asas. Qualquer coisa que voe. Me calei quando as cores caíram, era cinza, era sem canto, sem voz, sem vida. Mas as cores estão voltando, a fumaça vem se espalhando no trilho. Fogo no pavio, forno em chamas, e o trem estáchamando. Ele me convida mais uma vez: “Estamos de partida querida fuga”. Frase abençoada do meu parceiro Davi Zulu. É com essa frase que nesses dias baianos escuto as folhas movidas pelo vento, o tempo todo ele assovia seus silêncios e presto atenção em cada pausa, e em cada play….

 

Itacaré-BA

Casa do Boneco

Duplo sentido

Esse video me lembrou uma palestra que assisti do Caco Barcellos no ano passado na Feira Pan-Amazonica do Livro. Era sobre suas vivencias com a terceira geração do tráfico no Rio. Era para fazer seu livro. Certo dia um dos traficantes chegou até ele e disse:

- Otário( ele era chamado assim), diz pra mim? Porque quem mora no asfalto tem duas mães e eu não tenho nenhuma?!

Minha mãe já foi diarista e amarga até hoje a desilusão de um grande amor. Meu pai não foi um bom pai, nem um bom companheiro. Fiquei pensando e tentando achar uma relação entre esses fatos; a diarista do video, o traficante sem mãe, o que penso de familia e a memória do que seria felicidade.

Eu posso entender o disfarce do tempo. Aprender e viver o seu segredo. Seu mistério oculto. Posso ser diarista de um sorriso, de um amor verdadeiro, posso ter a fé que movimenta a vida. Entre todos os personagens da lista,  me pareço com minha mãe, me sinto como uma diarista.

Nos ultimos anos, mesmo errando em alguns pontos ( não vou me chicotear), trabalho todos os dias  para manter vivo a idéia de uma familia, ainda que a distância seja fato determinante na minha condição solitária de compreender e viver familia.

Sem lamento, sem massagem, vivo limpando meus olhos, vivo comigo mesmo, vivo querendo evoluir pra se chegar a algum lugar em que não esteja sozinho. Estar comigo mesmo ainda é a melhor forma que encontrei de ficar vivo. O risco é alto, tanto quanto o meu corre do dia a dia.

No ultimo mês vivo o duplo sentido da poesia. Uma poesia que cheira patcholi nas batalhas da semana, e um chorume nos dias de domingo. A saudade me leva ao fundo de luzes solitárias. São as luzes do meu toca-disco naquele quarto escuro.

E quem se importa??

Segunda-Feira será mais um dia de diarista e devo precisar limpar a casa do seu mau humor, da sua falta de amor, ou do simples devaneio da sua bebedeira. A roupa suja da saudade e a nudez das nossas duvidas. Devo limpar a sua e consequente a minha, já que compartilho da dança da vida com os meus e com os seus. Por um segundo em meio a tudo isso, eu penso; Serão os nossos?

E se o traficante do morro não tem mãe, e o provável branco do asfalto tem duas. E se a diarista sente saudade do interior. E se o interior que ela diz é espelho do seu próprio interior. E se a saudade é fato vencido na terra da vaidade. E se o tempo, esse maldito deus é cúmplice da sua falta de amor em pequenos gestos que aguardo todos os dias para me satisfazer. E se tudo aqui não passa apenas de palavras e nada vai fazer sentido se eu apenas me calar e não me deixar enganar. O caminho é frio e solitário, eu sei, e o que preciso é não ter amor por alguém, mas viver pelo “nóiz”. Pois se hoje eu decido ainda te amar é porque sou fraco e não consigo vencer esse deus. Essa esperança que tenho não é sua, nem do traficante, nem do diarista. Essa esperança que tenho é só poesia. A vida de verdade está lá fora e tudo que preciso para vive-la não está em você, nem nesse vídeo, nem nessa saudade.

O que tenho que admitir é que não sei por onde ir e preciso tatear esse mistério e se por algum acaso eu estiver errado, tudo apenas não passou de um desabafo e uma tristeza profunda que devo curar numa próxima música, numa pŕóxima cama ou numa próxima mentira.

Obs: O vídeo me fez chorar!

…de salto

Já fui entrando no banheiro.
Vapor, incenso fumaça.

Precisava desenhar o pensamento
Derretido em tolice. Estava ansioso.

Os seus lábios fingiram me beijar. Eu me lembro.
Não beijou.

Havia vento,
sempre o vento.

Havia meu olhar, sua pele, tu estavas de costas.
Acho que olhei demais,
lentamente eu vi o vestido se desmanchar

A nudez…..Essa era toda sua.
Mas era…Estranho…Belissíma,
mas muito estranho.

O seu salto era dourado.
E o resto todo cinza.

Excitação. Aceleração. Tentativa de movimentação.

Minha Certeza.

Paralisação.

Estamos num prédio. Estamos no alto.
Mentiras ou verdades, planos plenos, alturas e vaidades.
Parecia mesmo que tu iria pular.
Não via nada, não via altura.

Apenas sentia o vento.
Sempre o vento.

Nudez.

A silhueta escura. Definições geométricas.
A dança dos búfalos, serpentes….A dança…A dança da vida.

Por que um salto? Por que dourado? Talvez exista algum significado…

A dança prossegue, não posso me mexer.
Ainda penso em búfalos e serpentes.
Ainda te vejo de costas.
Ainda te vejo serpente.

Longa e intensa, a posição ainda era como um pendulo.
Tocava os seus próprios pés. Esfregava seu sexo em mim
A força do desejo não coube em meus lábios.
Não conseguia me mexer.

Seus gemidos…A trilha do vento.
Ecos do prazer transformavam-se em tempestade.
Sede, fome, raiva, essência em aplausos  e raios.

O trovão trouxe o silêncio.

Distanciou-se, desceu do seu salto dourado.
Seria um pedestal?

Tudo passou a ser cinza. Pegaste  na minha mão.
Me sorriu, eu te acompanhei.

Acho que pulamos de um prédio.

Acordei.

-Vou fazer seu café!

 

tempo e caminho…

Ato1

O caminhos de um preto velho ou de um velho preto é sempre o mesmo. Sempre é do mesmo jeito. Um tipo escuro, magro, de barba por fazer, os fios brancos são aos montes, se perdem entre o rosto e as dredas que lhe cobrem a cabeça. Quem olha de longe pensa que ele está sozinho, admira,  e respeita e a comodidade desperta esse “achismo”. Acham que ele está só.

Já fazem quase quinze anos e venho aprendendo um pouco sobre a loucura dos Griots. Sua busca, seus pensamentos, sua forma de ver e ser o mundo que precisa. Em todas as palavras que esse Griot,  esse velho preto ou esse preto velho, me disse, eu acredito. Talvez seja porque também acho que dizem o mesmo sobre mim.

Para os outros, o egoísmo sempre será uma explicação. E a verdade é que não há egoísmo. “A gente nunca está sozinho. A gente sempre está com a gente mesmo.”

Eu estou comigo mesmo. Por mais dificuldades, tristezas ou fome, a gente não sai do nosso caminho, da nossa trilha. Todos precisam fazer sua própria trilha. Eu já saí de algum lugar um dia, saí para pensar e atuar na minha trilha. Quem sabe, ser um Griot um dia, ser um velho preto ou um preto velho, melhor.

Às vezes a gente olha prá gente mesmo e não vê tristeza. Eu olho para os nossos pretos velhos ou nossos velhos pretos e vejo apenas um certo desapontamento porque poucas pessoas enxergam o que ele enxerga. Sinto isso com os olhos assim como, na mesma medida, eu sei que ele está com ele mesmo e nisso vejo tranquilidade

O homem livre, planta baobás. Ele cuida da sua terra, do seu bichos, ele caminha pelo mundo quando é chamado, ele fala e vive o que deseja, ele volta para sua casa, ele tem filhos, ele tem família. É dessa forma que vejo os pretos velhos ou os velhos pretos desse mundo, presto atenção, para cometer outros erros, encontrar outros acertos, buscar o cada um que me cabe.

Ato2

Tem certos tipos de amor, tipo caderno ortográfico. Sabes? Passa-se mais tempo para tentar corrigir alguma coisa do que curtindo o que já está duplamente combinado e corrigido.

O  amor que sentimos nesse mundo é muito órfão de referência. Deixar de ser para amar, amar e deixar de ser. Pensar nas complementações de cada um,  cada um com seu interior. Até que ponto precisamos ser completos? Ser completos prá quem ?
Hoje em dia enxergo o grande segredo. Procuro essa linha quase invisível. Posso confessar todos os meu pecados. Eu aprendi isso. Posso ter todos os corpos, todos os drinks, posso ter todas as festas. Eu já tive algumas realizações pessoais. Mas nada se compara com a minha capacidade de sonhar em ter meu filho “no meu corre, um corre que acredito que é maior do que eu, do que ele ou noiz.”

Se tu amas, ama quanto? Tem definição? Está disposto a mudar por isso? Eu não aconselho. Mas tente, viva! Estude as possibilidades. Não existe felicidade plena, existem gotas de felicidades, e tem horas que a torneira fecha.

Eu sei da poesia de entender , as escolhas e o tempo do mundo, quase o mesmo tanto que entendo e sei o que é solidão.  Sabedoria demais prá se viver sozinho é não sair do lugar.

Obs: Esses dois textos já estavam semi-pensados-anotados (costumo anotar palavras chaves de assuntos que quero escrever) . Eu os usei eles aqui  baseado numa conversa com minha querida e amada amiga Mari Valença. Sempre é muito bom falar com ela, positividade nordestina.

 

Agora.

Se eu pudesse realizaria agora. Eu voltaria para um passado recente, tipo onze anos atrás. Se eu pudesse queria estar no meio de uma batucada, uma pá de gente conhecida, sorrisos especiais. Sentir o arrepio do começo de uma Loa. Vibrar até o final do baque, suado e cantado. Era lá que eu queria estar . Onde, a paixão era artigo de luxo para se morar ou viver dentro de um banheiro cultural. O amor não doía tanto. Os tambores preenchiam a sede, a ardência, a loucura de ser embalado pela fé.

A fé também não era artigo de luxo, mas era a válvula que pulsava a vida. Apesar dos cabelos brancos e do tempo, ainda hoje ela, a fé é a minha única arma atualmente. No fundo de tudo, do que sinto saudade mesmo, não é daquela casa, daquela batucada, mas sim de todas as batucadas que vivemos em mim ou em ti ou em nós. Eu sinto saudades dos meus outros “eus” , dos seus outros “eus”, e tudo que sinto saudade é vivo e me permite me sankofar.Eu posso voltar, mas não posso perder a fé, não posso perder nada.

A nossa sintonia é a sintonia do universo, é a sintonia da natureza e nossa certeza não é escrita, nem desenhada, nem falada. Ela é vivida. Por isso agora eu estou contigo e principalmente comigo.

 

 

Quando os nossos tambores zoou
E a dama de paço girou
Meu estandarte brilhou
Porque sou Nação Nagô
Vem Nação Estrela Brilhante cantar
Bate forte os nossos tambores
Rufa a caixa, mineiro e ganzá
Joventina Erundina não deixa o tambor se calar

Mestre Walter- Nossos Tambores -

Nação de Maracatu Estrela Brilhante

super

Hoje meu Oju (olho) já acordou se lavando e hoje eu queria escrever tudo que sinto sobre ser pai. Eu sempre penso em tudo que posso ser quando estou com ele, eu penso em tudo que gostaria de ser, desde que ele chegou na minha vida.

Mas infelizmente hoje eu vivo apenas a metade de uma vida. Hoje eu sou meio pai, e não é pela incapacidade de amar, mas pela verdade absoluta da distância.

Nenhum amor no mundo deveria viver sem a sua metade. Nenhum amor no mundo resiste às lágrimas de uma saudade.

Mas todo o amor do mundo é menor do que eu sinto pelo meu Ébano Odara.

No ultimo ano, certos tipos de atenção e alguns cuidados para com o amor distante, passaram a ter dias especiais, dias  com muitas lágrimas. São quase todos os domingos que me reservam um momento de choro.

Apesar de ser um só caminho, ainda que solitário, às vezes, certas lágrimas nunca vão me deixar sozinho.

Aventureiro e viajante como sou, contraditoriamente eu anseio por uma família que se reúna aos domingos. Em alguns sonhos eu vejo as crianças correndo no quintal (Ébano está no meio delas). Acordar tarde, mesa cheia, receber os amigos, um amor verdadeiro prá me sorrir enquanto eu faço almoço…. São tantos sonhos…..

Tem que ser, tem que ter
super-amor, super-saudade, super-fé
super-pai

Eu já….

Eu já estive aí desse lado. É uma brisa, né? Refrescante como a sacada de uma janela ou como aquele ventinho de fim de tarde no corredor da nossa casinha…. Lembra!?! Eu já estive ai. Um lado alegre, sem compromisso. O lado de quem está livre, nem todo dia, mas quase toda noite, ela não perdoa o cansaço, a pele ecoa e tu sente a energia, a sintonia e os efeitos de uma solidão. Malditas solidões, elas te provocam e tu nem sabe que elas possuem esse nome, você pode se entregar, voar e se achar nas ventanias de um inverno. Eu sei que é possível, eu já naveguei nessas ventanias, elas alimentavam as horas, e me faziam perder do tempo. E se o tempo é rei, a gente se acha Deus, e a fraqueza em ter, ser, pertencer a um amor verdadeiro se encontra no labirinto dos segundos, dos milésimos…

Eu já estive aí desse lado e assim como tu, te quis por um dia, por uma hora…Eu sou a favor do tempo nesse tempo e a minha condição de felicidade era poder gozar contigo apenas mais um vez. Tu vai sentir uma vontade de repetir a música, vai se arrepender por achar que poderia ter sido melhor, vai lamentar por alguns dias e as ventanias te chamarão novamente, a solidão do inverno castiga, perturba, a solidão do inverno é feita de mentiras para você se sentir aquecido, são cobertores de jornal.

Aproveite o momento, eu já estive aí desse lado e não existem formas verdadeiras de amar, tudo não passa de uma invenção das estações de inverno, tudo se resume em não se adaptar à solidão.

 

toque gentil

gentilidade do mundão em testar a minha fé
gentilidade em olhar no olho e saber o que quer
o ambiente é perigoso, segue a marcha do destino
resta apenas o meu escudo africano
a minha mente que voa e tem mil planos
e o sono que vem a pé,
a mãe e o pai maior me chama
a vida do justo na quebrada se soma
um rei precisa se criar
devagar com o meu tempo
e o seu desejo
em romper com a rotina
e brincar de fazer rima
na rua, ontem criado
agora tem sua cria
aceno para o fogo
levo as sementes
peço proteção
antes de sair de casa
pego a minha guia
minha baqueta
minha toca
meu tambor,
seguro na sua mão

Epã (Escuta)

versangue

o mestre diz que é tempo de revelação
mais nem sempre é bom, nem sempre agrada.
o mundão se planeja, quer meu fim,
ele se revela, por ele, para mim.
eu saio da janela,
a rua me chama,
a estrada me ama,
coração vadio, vandalo, responsa vagueia e clama.
a vida me norteia,
norte minha saudade, minha teia
movimento
de coma
respirando como escravo e rosa
de cama.
um terço, um acorde, meu acordo forte
morte e vida, vida e morte.
a areia do tempo se move
se transforma no paradigma das alquimias
onde tudo que sobe, é o mesmo que desce
e o que esta no alto é o mesmo que está embaixo.
na busca, ainda no tempo, ainda no jogo
o breu que refletias, ancestrais, e guias
o caminho se abre e lhe sente
segue a regra necessária de ifá e exú
o herói entre a esperança e a matança,
da hipocrisia de pertencer ao ciclo dessa dança
o ladrão sem maldade, o coração e a vaidade
a nobreza em assumir sua verdade
em terras e linguas que foram tomadas
de corpos e pensamento violados
mais nossa alma não foi levada
é branca a cor da paz calada
a coroa se fez e se faz negra
meu compromisso, meu filho
determinado.

panorama observativo

homem azul

aqui na selva cinza
louco de pedra e cimento
respiro, sigo e observo
de dentro
do movimento
da curva
do abraço
da necessidade
de sentir e querer amor

vivo o tempo do sem tempo
vivo o instante da fé e da dor
sei que o medo norteia e se mistura
entre o segredo e a verdade…
…aceita uma flor?

mais não esqueço
a origem
o sangue
a batalha
a pele de quem fere
e de quem é ferido
do beijo da morte
do beijo esquecido

vivo meu tempo de guerra
vivo meu tempo de morte
vida-morte-vida
meu esqueleto mulher suicida
arquétipo psico-coisa
livro e amor de um beijo roubado
no instante, na estante
que ela se decida
quanto vale, pesa ou reza
qualquer vaidade ou necessidade
que me faz
que te faz
peito amazonida

gente

então…

101_1420então….
meio sem fala
meio sem jeito
meio sem saber
sem olhar
mais…..
certeza no sentir
certeza no saber
tempo curto
tempo bom
beijo longo
beijo curto
calor na imensidão
o pensamento
o momento
o coração bate pesado
forte por dentro
coisas
nossas coisas
nossas causas
nossos casos
nosso silêncio
nossa vida
nossas vidas
segue o cortejo
e boa fé
de boa lembrança
de boa história
de boa memória
no peito
no feito
da alma dizer

nosso jeito……

3 tempos

muitas bocas
as nega e os vida-loka
que lokas…

muitos olhos me encaram
declamam raiva e poesia
mil palavras de amor para mim
mil tempos sem fim

…e eu te lanço
do meu abraço
das minhas mãos
do dic ao espaço
eu não me canso
e é tudo invenção
uma dose de ingratidão
um rascunho escarrado
o erro de um peito
sem rima
tipo suspeito

proxima cena?

domingo….

kunta1

e são tantas coisas…
que preciso demais desabafar
ouvir aquele som que na batida repetida
ainda que midia-sem-ativa me faz pensar
no compasso desse passo, nesse lapso de fumaça
não consigo mais nada, além de caminhar
uso da palavra do vazio que meu amigo silencio aos finais de semana quer me soprar
trazido do alto, pelo rio sem margem, do meu banzo de(mente)
uma oração a mãe preta, meu solo sagrado, o menino sente
soul queria demais desabafar…
longe demais do meu novo coração
longe demais da minha mais nova criação
espero a cada dia o tempo me abater e me carregar em sua mão
que ele me compense cada sorriso e cada choro que perdi
até o tempo voltar a ter ternura,
onde não preciso mais partir
te apresento ao mundo
nada é maior que você
meu viver é o seu existir
eu contigo, tu comigo
é só sentir….

kunta

desoriente

japao2

diz
mente
dissente
não mais aderente
o olho da alma ausente
ocidente presente
deprimente
saudade?
quem sabe onde nasceu o oriente??
esquece!
verdade solida e presente
questão de olhar, verdade da gente
até o sol nascente
não entende
não sente
diretamente da verdade
seria suficiente…
passo adiante
musica sempre ambiente
copo na mesa
lembrança da gente
africano !!! se oriente…

adiante

100_0765-67

vem me dizer o que quero ouvir
vem me dizer que o rei esta aqui
cai lagrima a toa
és a minha razão
és o meu peito carregado
seguro na sua mão
entrego meu mundo
saudades…..

mais um fim de semana….

ei JAH…abençõe eles….

o riso

riso dele
lagrima minha

veja o : o rei

dias…enfim…os fins…meus fins…

leao1-thumb

o grande leão pode ser derrubado, isso mesmo, ele pode cair, te juro!
pode até morrer afogado no seu oceano interno…
ele possui um oceano dentro de si
navega-lo é preciso assim como morrer é certo
viver em seguida é o risco de se manter em pé
como será amar o inimigo,
o grande leão mal cabe em seu proprio peito
não desiste
e persiste
continua a jornada e ve os dias passarem
observa e percebe
cristos pretos,
morrem todos os dias
ele se importa
o grande leão acredita em promessas e juras
o grande leão também sabe chorar
ele aprendeu com a chuva
aquela que cai todos os dias
a liberdade é o nome da sua juba
o peso delas
é o peso de caminhar só
se deixa sementes por onde se passa
mais o peso
ainda é o de estar só

negrume

macy

Salve, salve…tem uns dias já que quero escrever, alguma coisa, qualquer coisa de sentido, tenho escrito muito para os outros e paras as outras, sabe como é, off-lines e on-lines, uma certa vida de ” mensageiros instantaneos “…..

Atento, tento, pareço e preciso ser sincero, to ligado que isso incomoda um pouco umas pessoas piram no que eu posso escrever, descrever, demonstrar….vivemos o tempo em que o afeto é vigiado, nosso excesso querer de poder ultrapassa os limites do simples, do natural…..

Umas semanas atrás, falava com uma amiga sobre ter passado uma semana com meu filho num terreiro, não sobre um terreiro muito comum, era uma casa, definitivamente uma Casa Preta que havia hábitos, gestos, palavras, comidas, tudo que fosse africano ou “ascendentemente” africano.

Pra ela eu descrevia ou melhor, viajava, de como significava uma semana na mata, uma natureza, uma cachoeira e ai ela me disse:

- Tadinho!!! (fiquei imaginando a voz fina)

- Muito Novinho!!!!!!Como você faz isso com ele!??

Puts, é foda, quando falo de terreiro e de criança penso em anjos, pret@s, penso que são uma especie rara de lugar, gente e amor, amor que trabalha e evolui, troca e dilui, carinho, poesia e comunhão, coisas possiveis e naturais, que somente a terra pode lhe dar, florestas, folhas, matas, perfumes, aguas e cheiros. Penso que anjos se fazem gigantes quando entregues ao caminho natural, ao caminho do homem natural, etc, etc, etc. ..Mano, quanta treta, ela mal entendeu o que eu disse ou o que significava pra mim estar num terreiro, seja ele qual fosse e logo me disse:

- Eu não acredito nisso!

Bom, ai eu disse….Não. Não disse nada, não perdi meu tempo, infelizmente entendi que perdemos essa irmã. Mesmo ela sendo negra, linda, inteligente e uma jovem que alisa o cabelo e tals, ela está em busca da beleza negra, mais não está em busca da sua origem.

Você deve achar minha escrita cheia de equivocos, porém discutir negritude num país que em 1854 havia um decreto que não podia aceitar negros em escolas publicas e que 1878 , negros só podiam estudar no periodo noturno, tu vai perceber que a caminhada é bem dura

Vou tentar abordar mais dessa missão aki nesse blog….meio pessoal, mais politico….deixarei certos jogos de amor no fotolog…to precisando demais desabafar…..

Aliás, comprei esse disco…original…..é lindo!

crioulos e doidos

alfredoalmeidacoelhodacunhamoçambique

Encruzilhada na terra do meio, onde passa o Equador.
Estava em Macapa por um trampo pela Rede Mocambos e Ministerio, e entre batucadas, banhos de rio e oficinas, fui convidado a conhecer um espaço novo chamado Espaço Aberto. Uma figura local chamada Becky, uma linda cantora india-preta, havia me dado o papo, ela é cockpit da cena.

Festa de estilos variados, o Mc da festa, um coroa, provavelmente dono do som, parecia estar diante do SUPER POP, cliche local das aparelhagens do norte, que na sua empolgação; bandas de rock, experimentos sonoros e musicos no estilo sampa-pop-art transformava a sexta num ambiente dos lokos, loko do role, loko de macapa, loko de chuva e loko por qualquer coisa estranha e saborosa no meio do mundo….

Um casal, que eu ja havia visto num role, nesses picos de banho de rio, colaram na festa, eram paulistas brancos e estavam acompanhados de Jorge e Felipe, dois negões filhos do Ivamar, negro coroa dos antigos corres em sampa em que meu Mestre TC e ele, estava na mesma missão com mais um monte de man@s, nitido que uns pensando, uns agindo, uns tomando espaços, uns projetando-se para um futuro seguro…hehehe…. e por ai vai…a fita não era mar de rosas não…e nem é…..

Marcel e Vivi já estavam no role já fazia uns dias e ali na mesa do buteco da baladinha, desenrolamos as identificações sonoras, varios man@s em comum, pesquisas, e por ai vai….o mano tinha uma coleção de MP3 invejavel, juntos, fizemos mais um rolê antes de eu, voltar para casa. Eles estavam descendo pra Salvador, e iriam passar em Belém, e deixei disponivel minha casa para uma dormida de uns dias.

Isso é uma coisa que aprendi só aqui na amazonia, ter o sexto sentido plugado e botar fé nas amizades aparentes. Aqui na amazonia, basta um gancho pra atar sua baladeira e o bonde da vida segue suave, aqui as pessoas tem pouco receio de serem solidarias, sem pensar em grana ou consciencia limpa….ta ligado que isso rende assunto e espaços sorteados na consciencia onipresente de algumas religiões…..enfim…

Os man@s colaram e pude ser solidario da melhor maneira possivel, levei eles pra comerem um peixe com açai no Ver-o-Peso e  tomar uma pá de gelada e de sequencia, ver a bomba gastronomica fazer efeito rapidim. A chuvinha da Amazonafrica-Belénzinha se encarregou de fazer companhia pra trilha sonora pós almoço seguido da chamada momó.

No outro dia eles ja iriam partir e a missão era ver o Timão jogar por ela e curtir um reggae por ele.

Na espera do jogo os man@s apresentaram um material bem massa sobre o DVD do Crioulo Doido, fiquei impressionado, eu já tinha ouvido o som dele, mais não tinha visto a lata. O mano parece arabe, pique Taliban, imagem e letra, agressidade e sutileza….frase de efeito fudida…”deus não paga pau pros lokes…”…foda essa parte…

Fim do jogo, Timão com a taça e já estavamos no Porto Solamar, onde os corpos do norte desnorteiam nos pobres sudestinos ausentes de bem próximo calor humano, mesmo depois de quatro anos ainda me admiro com tanta sensualidade, cabivel entre um baixo e um bumbo marcado, entre uma cintura e mil beijos roubados.

Foi bom sacar o casal, os man@s estão pela gente, mais olhar pra eles me fez lembrar o quanto gosto daqui pra continar dando valor nas coisas boas de lá. Foi bom ver também que preciso correr mais, minha velocidade não esta agradando, os meus anjos andam me tirando o sono, perco as horas em devaneios e sonhos, fumaças e promessas…desatenções….

” Eu to falando é de atenção , que da cola ao coração
E faz marmanjo chorar , se faltar , um simples sorriso , as vezes um olhar..”

A caminhada continua….aperte o play…..

Obs: Não se incomode, acho importante identificar a etnia das pessoas que são chave da idéia que escrevo, vai te fazer perceber o porque, ai dentro, dentro de ti, tu vai perceber..ou não…..já não decido por vc, quem sabe  depois de uns 1000 posts podemos até fazer uma estatistica,  aprender a aprender essa é a chave, me disse um velho amigo, mais ele era preto e isso teve e tem um peso nesse mundão….”..só quem é…”

Letra: http://letras.terra.com.br/criolo-doido/977336/

meu riozinho…

fecho meus olhos e imagino uma saudade
minha mochila, minhas pequenas vaidades
uma lagrima que não cessa, ela não para
ela vive na espera
espera os segundos da surpresa
detalhes do mestre tempo.

repouso essa saudade no doce dos rios
rios que são o espelho dos novos velhos arquétipos
no meu peito também corre esse rio
ele acompanha essa canção
como um surdo de samba
uma cuica chorosa
que lamenta a saudade

meu coração é um barco velho
um pesqueiro carregado de sonhos
do seu fundo retiro o que posso
aquilo que sozinho posso levantar
não há muito,
é preciso ter fé

é tristeza poderosa, que me não deixa sofrer demais
é preciso trabalhar
é justiça silenciosa, que se espalha sem triunfo
é primavera seca
é grito sem explicação
é vazio

é canto de baladeira
é saudade da minha rua
aquele que é meu rio

100_0256

domingos

meu corpo esta dolorido
assim como meu peito
estou amortecido
coloquei meu filho pra dormir
e chorei bem baixinho
é o ultimo domingo
em que ele dorme comigo
é preciso ter fé
queria minha mãe
preciso de carinho
o gigante esta caido

espelhos…

101_1541

com tantos favores em ausencia
com tantos amores de penitencia
agonizo no silencio das minhas ansiedades

agonia e prazer
comparações das noites mal dormidas
oras por solidão
oras por boemias de exagero

o crescimento dos homens
transparece em suas ilusões e desilusões
imaginar, buscar e viver uma paixão
fato interno preocupante
fato externo degradante
a boca profana o desejo dos homens
a self não desenvolvida da mulher
esta mergulhada na sua vaidade
e na sua tola inocencia

os sentimentos se tornam peças no tabuleiro
e o jogo da vida, muitas vezes mediocremente
é contemplar uma vitória solitária

o meu momento é sem jogos
o meu momento é de tiro ao alvo
ou mata-se ou se é morto
seja um sentimento
racional ou emocional
seja um pensamento
positivo ou negativo

o meu peito é um campo de batalha
e a minha guerra se tornou silenciosa
preciso das minhas mentiras
eu as conto a mim mesmo, isso me basta
eu escondo as minhas verdades
escondo no peito de quem possivelmente
deve me trair

o meu orgulho, é o meu cajado
e nele deposito os meus desejos
não há derrotas
não há fugas
estou de frente ao perigo
estou de frente ao inimigo
o espelho não se quebrará

foi…

olho acima dos meus óculos
percebo o começo do meu proximo erro
espero que o erro não me encare
preciso passar por ele

penso no acerto do meu possivel proximo passo
ando querendo acordos com o tempo
ando me desfazendo dos sem-tempo
gente maldita que me atrasa e me deixa sem pressa

eu preciso do tempo e preciso de pressa
eu preciso acertar com raiva
um caçador, não uma caça
conter o sentido, o sentimento
não quero que ela saiba

já começamos outra vez
e nem sei porque paramos!

meu samba começa assim…

é…
e nunca mais a Nega-Samba
já foi de sambar,
mas não na minha casa.

é, meu peito anda meio ansioso e logo se explica
nesses assunto de Nega-Samba
prefiro os sambas da minha escola.

é, é o samba da minha escola que te pede
e você anda sambando em outras arquimedes

é…e finge que não sabe de nada
pensa que falta muito pra poder saber…

é, ja não sei o quanto sabes
mas sei que teu samba deixou saudades

é, tu vai dizer: mas o samba sempre deixa…
e como ritmista de bom samba
sempre vou pedir um bis
quem sabe ano que vem?
durante o carnaval?
assim tão longe?
é a época certa de se sambar!!
escute de perto o meu verso:

é, todo dia é dia de bumbo
e toda noite é de cuíca
marca, lamenta ou chora
pede arrego pro repique
que sola na rua, na avenida ou no quintal
no buteco, na calçada ou no meu quarto
faz-se coro de varal
o certo do samba
é viver o enredo
e o meu enredo é feito de vida de samba
portanto minha nega, canditada a porta bandeira
do meu coração vadio,
aguardo o fim dessa nossa avenida particular.

hã?

nada não, nega
isso é enredo
enredo da vida
meu enredo

ainda não é suficiente pra um bis
mas vou tentando, né
é o que resta
é a minha baqueta
de volta pro morro,
papel, caneta,
terra e um galo
rede, feijão e gelada

mas pelo menos rolou um samba, né?
se isso foi bom ou ruim?
só sei que foi
égua do samba
égua do samba bom!

como eu disse,
deixou saudades
um filho do carnaval sempre relembra velhos sambas
e podes crer porta bandeira samba lele
o seu vai constar
no livro dos meus sambas..

Black Society

seja o que for…que venha!

…um dia….

“o último aplauso do trovão”

http://www.youtube.com/watch?v=owpgUN-T51M

já disse Olorum,
o tempo dirá,
simples assim….

querer…

passo as noites em silencio
colo meu rosto no chão
tento ouvir seu chamado
será que é o diabo???
ou uma fuga de anjo no quarto ao lado…..

Pequeno principe: I

e hoje sozinho, eu penso no mundão
e no meu mundinho, sou apenas eu,
penso ser tipo um pequeno principe
só que sem planeta, sem rosa e sem vulcão
acordei bem cedo hoje, ainda não olhei o céu
deve estar azul, deve estar ensolarado,
alguns raios timidamente tentam me avisar
esse meu mundinho anda me dando trabalho
esta todo dividido….esta tudo por ai….!

Pequeno Principe II

o meu planeta é uma mulher negra, é a mãe dos mundos
sou uma semente e cai de suas tranças
o meu planeta é uma espécie de mulher
um tipo raro, dessas que me ensinam com o silencio
que me falam com os olhos

esse planeta, essa mulher, essa mãe
cuidou para que eu me tornasse filho
um filho que não nasce, nem cresce de improviso

esse planeta, essa mulher, essa mãe
é a minha rainha, é onde deposito a minha fé

todos os dias anoitece e quando o planeta se recolhe
sua alma vagueia por todos os lugares, todo o universo
pedindo proteção, abençoando os seus queridos
como um perfume ela se chega em cada um
conforta cada coração
e segura forte em cada mão

esse planeta, essa mulher, essa mãe
eu divido com o mundo
eu divido com um continente
divido com outros solitários
que precisam da sua atenção
farei a minha parte
te acenderei uma vela
te farei uma canção

Pequeno Principe-III

o meu vulcão é uma espécie de mulher
é um tipo raro, dessas coisas dificeis
que a poesia não explica, por mais que tente
o meu vulcão protege minha rosa dos males do mundo
o meu vulcão se manifesta entre as alegrias e dores do mundo
horas ele se acalma, horas é belo,é alto e forte
é nobre, é perigoso e destruidor,
quando sua raiva é cega, os inimigos o temem
os amantes se perdem
o vulcão é senhora do destino das redeas do meu coração
o meu vulcão é uma espécie de tempestade, de fogo
uma mistura de raios com palavras
um beijo musicado com trovões
sua missão protege a rosa
cada dia, cada passo
truculento como o desejo
ela cuida e exercita o amor
ela repara, conduz e pratica o amor
o amor é o fogo desse vulcão
o amor é o cordão umbilical
entre a rosa e o vulcão

O Legado do Aço

O Legado de Aço

e de quem nasce sem traço,
dentro do sequestro (in)visivel de milhões
a agua não deixa rastro
e o atlantico é o lençol velho esquecido desse sangue

ele, sem cansaço,
quase seis séculos de frente
combatente,
o “Black Survivor” de Marley
afro-amerindio “STEEL PULSE”

um africano nascido no Brasil chamado Antonio, conhecido como TC
o anos e as batalhas o transformaram em Mestre TC,
estava escrito, estava dito, era o seu legado, o legado do aço
ele formou, se formou, pensou e agiu
criou um exército, uma orquestra de afro-humanos,
de pele, de cabelo, de corpo , de coração e alma
todos forjados na africa do aço
as notas singelas que compoem a harmonia
complementam o sonho de uma africa celestial

um dia o Mestre me disse que a loucura do Griot
é caminhar a vida toda atraś de outro Griot

o Mestre muito astuto e estratégico
construiu uma panela de possibilidades
entre a sutileza da nota e a face do aço
o afro sentimento pulsa,
os Griots surgirão
e no meu entedimento de sujeito
o legado do aço não morrerá.

Mãe Silvia, nossa preta!!

Ainda não havia publicado no blog essa despedida, ao poucos vou publicar as coisas que escrevi nesses tempos magros que vivi nos ultimos meses….não são os diários de um tempo de derrota, mas são os diários de um sobrevivente……

Dia 01 de Setembro de 2009

Estou indo para Blacksfera, o sol na Belém Amazonafrica de hoje veio mais quente e mais triste, penso positivo acabou o dia, mas hoje perdi uma mãe preta chamada Silvia.
Minha primeira musica no set de hoje será, O canto das tres Raças, na voz da Clara Nunes, essa musica hoje é o meu hino, é a certeza dos meus heróis e das minhas  heroinas, é o meu adeus, também me despeço nessa carta…

Hoje os tambores …

de meninos e meninas
de todas as africas
de todas as mulheres
de todas as negras
e de todos os negros
e de todos os povos

todos os tambores fazem silencio
todos os tambores que batem em nossos peitos
hoje a marcação foi mais forte, mais pesada

os Orixás
os Babalaos
e as Yas
e todos os Deuses e Deusas
de todas as crenças
hoje eles receberam
a nossa brilhante guerreira
a nossa mãe preta
a nossa preta bagunceira
que adorava um mézinho
que no desbaratino
nas trapaiada errada
como ela mesma dizia
carregava a gente no colo
-po negona, vai ser foda sem você!

as minhas lagrimas
e a de todos que concerteza
choram comigo nesse dia
irão se juntar no espirito dos grandes rios
e dos grandes mares
e a canoa de ébano
vai te levar
vai levemente te entregar ao Zion
como diria nosso mestre TC
vai te levar
além de mim
além do sim
além mar

estaremos sempre juntos negona!!

um amor
um destino

eternamente
Tambor Menino

eu Don Perna….um dos seus filhos!

xingu saudade

Quarta de Yansã: ralo o dia todo num laboratorio, saio ás 18h, passo pelo Rio Xingu, assovio pra ele, a floresta me observa.  Passo no Hotel, deixo o excesso, pego uma berma, sandalia, phone e mp3, camisa no ombro, dread solto, volto pro Xingu, dessa vez dou-lhe um beijo, molho meus pés, coloco o phone, trilha certa: “Pai de Familia”, o som de Flora, de frente pra floresta…heheh…. Me da um apertinho no peito, falta pouco, respiro profundamente, estou abençoado, pés molhados no Xingu, vento de um fim de tarde na Amazonia…penso em meu Ébano, dou um sorriso atoa….volto pra calçada, peço uma gelada, os olhos não saem da agua….dou de beber aos santos….penso numa oração, volto a trilha no beat, brindo com a vida, um pouco de humana solidão, mas o sol ja vai se pôr e a esperança ta na minha mão!!!

Eparrei Oya!!!

é tudo tão longe….

tudo que gente como eu quer,
é olhar pra dentro de si mesmo
e achar que o nosso fundo é invisível
que a nossa taça é longa
e que todo Drink
não termine hoje.

a tela viva me fala
o fim vivo não me toca
mas tem o beijo vivo da morte
e o tempo se cala.

ela se decidiu.

certas noites sem amanhecer
não existe uma espera
outro Drink
não me faça um favor.

e agora?
fácil fingir um sorriso?
não !

uma rima, um brado

o sol tinha acabado de chegar,
e já havia duas musicas brigando no meu coração,
horas uma fugia para a mente, horas no ringue, sobrava a razão

o cansaço da mente, em algum minuto me deu um segundo de silencio
e a frase escorreu pela vazio:

” …é quando o som se cala, pra te ouvir chorar…”

completo o espaço requerido pela solidão,
a trilha segue suave,
marcando o compasso de mais um dia
amanhecido em conflitos,
tudo fica entre a razão e o coração.

hoje é dia 12 de Outubro,
dia das crianças,
dia de Nossa Senhora
hoje é comemorado mais um dia de fé….
e hoje a minha fé se chama Ébano
hoje faz dois anos que ganhei o presente mais lindo da minha vida
um menino que consegue tudo de mim
me tira o sorriso mais sincero
a verdade mais absoluta
o choro mais puro
e a saudade mais dolorida
e o amor mais inexplicável do universo

quando acordei hoje de manhã, as musicas fizeram o seu papel
ocuparam o meu peito para que eu não me acomoda-se
somente em pé, trarei triunfo para os meus dias
e para minha família.

e eu já sei com quem preciso ir
e eu já sei pra onde devo ir

a vida tem me ensinado
ser triste quando necessário
e ser sempre elegante
diante do adversário
ainda que seja meu próprio espelho
eu já fui muito longe pra desistir
sobrevivi a muitas despedidas
sorri com muitos reencontros
e a caminhada de um guerreiro
só faz sentido, se for com batalhas

por isso, a cada lagrima
ou a cada copo dessa tristeza
amanha se tornarão palavras, poesias
mas, o meu amor pela vida
cade vez mais se fortalece como uma rocha
nessa rocha, eu faço a minha morada de fé
fé na vida
fé de Ébano
fé de Ilê

“…quando eu me vi, só nesse lugar…eu pensei
que, preciso sair, pra me libertar, seja com quem for…”

um cartão…

o pior de tudo é a maldita sinceridade, ela sempre chega depois,
vem se lamentando, num poema, num filme, numa cena qualquer
na bronca da sua mãe, no corpo daquela que sua mente não cansa
e tu sempre sem querer apela pra esperança….

foda-se a sinceridade
que seja de qualquer um,
mas o corpo dela, o corpo do seu desejo
aquele que não tem fuga da sua lembrança,
que seja sempre seu, que você seja sempre dela,
você, homem preto
você, homem livre
você, pai
você é a incerteza da beleza do breu
ou a certeza de um possível amor de novela

quando se é menino
sinceridade se chama prato cheio de comida
vale tudo no tempo da guerra
guerra longa que se trava no dia- a- dia
meu estomago é sincero quando tem fome.

depois tu cresce, tem outros corres
e a sinceridade as vezes parece coisa roubada
tudo depende de quem tu roubou,
ou de quem tem sinceridade sobrando

ladrãozinho de merda
vive roubando sinceridade na boca da miséria

não, as vezes não vale a pena
e como diria Maria Rita
não vale uma fisgada dessa dor

sem arrependimentos
sem massagem
tenho tanta coisa pra fazer
e a maldita da sinceridade
não mata minha sede
não mata minha fome de vida
minha fome de amor
minha fome de atenção

não havia planos
não havia “noiz”
não havia nada
e agora que pode existir tudo
um plano, uma idéia, um pensamento
tudo que penso que poderia ser
o jardim esta morrendo

tenho um jardim no meu terreiro
todo bom vagabundo tem um terreiro
todo bom vagabundo tem uma terra sagrada
nesse lugar ele enterra seu umbigo
um virtual, não artificial,
ele é feito de sinceridade, vai vendo
é o aterramento necessário para circular entre as almas
as almas do mundo, é o meu pacto com o EXU,
junto do umbigo, eu deixo umas moedas
e bem ali na encruzilhada da solidão com a coragem,
enterrei a minha vida, a minha alma e toda pureza
dos meus erros

quando estou amando,
já dizia Melodia,
é parecido com o sofrer
sou um sonhador, um plantador de sonhos
tenho um jardim só teu,
é…tu bota fé?
deixo ele no meu terreiro, ele fica por ali

ele esta com sede
e eu tenho uma enxada na mão

LAROYE, EXU!!!
to jogando mais moeda na sua terra
abre meu caminho
vou matar o meu jardim

LAROYE!!!!!!

Pra saudar IEMANJA…….Venho de EXU!!!

Outros aspectos da influência desse orixá sobre a vida humana, de acordo com os mitos afro-brasileiros, explicam a presença de Exu na história-estória afrofuturista: “Exu, símbolo da descendência, da intercomunicação e da participação, assim como da sexualidade ou fertilidade, não é apenas uma divindade estruturada, mas um princípio estruturante do universo. No pensamento religioso africano, Exu está relacionado ao número 1 (um), ou seja, o acréscimo que propicia a continuidade e a dinâmica dos fenômenos(…) O Exu existente em cada indivíduo confere-lhe a sua identidade terrena e cósmica(…) Os homens, através de Exu, atuam no mundo, rompem as barreiras que limitam a sua realização, transgridem algumas vezes as normas e valores da cultura dominante, na procura de uma nova ordem que traduza os seus anseios e aspirações” (Liana Trindade – “Exu: Poder e Magia”).

fonte: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/11/267377.shtml

E SE?

Se não fosse os irmãos, pra te salvar….!Foda!

Desde menino aprendi que família não é pai, mãe, filhos, esposa, família é fé, fé na rua, fé na vida, fé em alguma pra além de si mesmo.

Essa semana foi foda, na verdade, toda semana é foda….ando perdendo alguns momentos, tempo, pessoas, coisas…Não é bem perdendo, mas ficando distante.

São decisões, conflitos, confianças e seguranças.

A trilha sonora do meu irmão Dumbo, me fez voltar a 10 anos atrás, quando achava que poderia ser da Marvel Comics, vai vendo, queria desenhar o homem aranha, eu sei que ainda posso, mas o corre é outro, a perspectiva é outra, a solidão é outra, e os sonhos são quase os mesmos, porque possuem a mesma intensidade, o mesmo peso, a mesma dificuldade. Nem tinha cara de homem, queria ser baileiro, queria ser dono de festa, gostava de casa cheia, bailinho, sonzinho, umas pretas, os irmão no adianto, olhava os clips, sacava a rua…ter dinheiro pra dar role, queria morar na beira do rio, andar de canoa, achava que o desenho e ser dono de festa poderia funcionar.

O Dic mudou minha vida, assim como a Capoeira, com ela nasceu o PERNA. O Perna conheceu a Casa Tainã, aumentou a familia, descobriu a Mãe Africa. Até aqui a vida foi stilo ” autodidata” da Flora Matos….o tambor me levou por muitos lugares….

O tambor, o terreiro de todos os

ouvindo essa mix, fiquei imaginando meu filho, um dia quem sabe, contado isso pra ele, contando que sempre fui sonhador….

(liberando a zica2)

só tu

rever os mortos

esconder as lagrimas

trilhar a rota do acaso

(liberando o zica)

01 SÓ!

 

Desde o começo, somos e seremos um só!

nada(R)

Belém…
uma menina
que aprendi amar
hoje ela ta chorando,
chora desde as quatro da tarde
como sou paulista e egoista por natureza
quero pensar que deve ser por mim
pra completar a poesia dos tolos
resolveu chorar numa sexta-feira
resolveu me deixar numa sexta-feira
somos um, já fomos um só amor
e juntos hoje, como ultimo ato de amor

a ultima transa sem interesse

estamos inundando todos os canais
todas as ruas
a tristeza resolveu se banhar
esta nos acompanhando
e o meu cão de guarda também faz companhia
a garrafa esta lindamente molhada
e a loucura da solidão
levemente envaidecida
nunca vi beleza mais triste
ou tristeza mais bem lavada
não há sujeira nesse peito
o peito esta nu
e cabe nele tudo e todas
hoje ele será de todas
sem flores
sem dores
sem amores
cem chances
de ser feliz
vamos tomar aquele navio
querido cão
temos uma cidade inteira
debaixo da água para cruzar
e não existe ninguém me esperando pra voltar
apague a vela, senhor vento
me faça esse favor
hoje todos os santos vão dormir
e o mundo esta sem dono

 

Vida- Morte- Vida

Pela primeira vez deixei de confiar no olho no olho,
a melhor escola do mundo; a vida,

me fez engolir com lágrimas
a humilhação de ter amado alguém quem não merece.

Desci do carro, coloquei meus óculos escuros, e apenas sussurrei:

- Nunca vou te perdoar por isso!

Ele não parava de chorar, ajeitei a mochila nas costas, peguei ele no colo, deixei meu orgulho na calçada e sem olhar para trás sai andando, a estação estava logo a frente, o sol ficou lá fora, mas não tirei os óculos de sol.
Desci as escadas, com o barulho do metro, e com meu filho chorando que repetia:

- Mamãe o nenê ta chorando!!!!

Eu quase não resisti, tive que me encostar na parede, segurar ele bem apertado e mesmo chorando por dentro e por fora, os óculos e as palavras disfarçavam o desespero. Nunca havia sentido isso, o vazio, o frio, o medo, eu e e meu filho.

As pessoas passavam por mim,a frieza paulista me empurrava, por segundos, talvez um minuto, tive que parar, me recompor e seguir na caminhada.
Comprei um bilhete de metro, o rapaz me deu a fila, foi um momento de agradecimento, devia ser um anjo, só podia ser, não queria me ver perder tempo, precisava sair dali, precisa sair do clima São Paulo.
Ainda no metro, dei a ele meu celular, ele dizia a mesma coisa, chorava muito e como se fala-se com a mãe, repetia:- o nenê ta chorando!
Esses foram os momentos mais doloridos de toda a minha vida, pensei em contar as estações pra não chorar, mais não aguentei, perdi as contas e calado chorei em todas elas, sem que ele percebe-se.

Chegamos no Tietê, centenas de pessoas, eu, meu filho, minha mochila e uma mala, engoli todas as lagrimas, rangi todos os dentes e sem esboçar um sorriso, protegi minha cria, como se ali fosse um campo de batalha e o inimigo pudesse vir a qualquer instante.

Com a agilidade super-pai, em dez minutos estávamos dentro do ônibus rumo a Campinas, ele dormiu soluçando no meu colo, não tomou leite, nem agua, descansou e quando acordou ainda pedia pela mãe. Foda.
Já pensou nesse tipo de amor, eu não pensei, eu senti, eu vivi, e chorei demais assim que ele dormiu.

No portão de casa ele não queria entrar, não sozinho, peguei ele no colo e demos um forte abraço, ele me olhou bem fundo e disse:

-A mamãe vai?
Eu disse que ia, ia chegar depois.(-)

O tempo foi passando, a Vovó Ivone, a vó preta dele, minha mãe, me abraçou forte também, quase desmontei, mais fiquei de pé, fui moldando o sorriso, a brincadeira, os brinquedos, fui escondendo meus medos.

Ele é tão cheio de vida, de alegria, ela fez um bom trabalho, meu filho é um cara especial, não tenho duvidas disso.
Mas no dia de ontem aprendi uma das lições mais difíceis da vida, coisas que li há anos com Clarisse Pinkola em Mulheres que correm com os lobos, ontem aprendi a vida-morte-vida, aprendi que pelo meu filho, uma parte de mim morreu ontem e uma nova parte hoje tem pretensões de nascer.

Ele acordou bem cedo, abriu os olhos, eu estava olhando pra ele, eu estava preocupado em como ele iria acordar, mas ele acordou e disse:

-PAPAI! Tindolele!!

…dei risada sozinho e ele saiu do quarto cantando, ele devia estar sonhando com a musica.

Nesse exato momento ele brinca na areia, no mesmo quintal que um dia brinquei com meu irmãos e amigos. Não vejo meus irmãos há dez anos e já enterrei muitos desses amigos, outros se enterraram sozinhos.

Estou em  casa, estou no Dic-City, e nessas ruas e areias me criei e me fiz homem, hoje essa é a minha missão, fazer um menino virar homem, um homem de bem, um menino do bem.

Não sou um homem perfeito, sou feito de carne e alma e sou um pai que ama, que tentou ser família, mas família para um homem preto, para um homem africano é mais além que o amor por uma mulher, é além do muro da sua casa,  família é vida-morte-vida, família é não saber perdoar, não por ódio ou orgulho, mas porque perdão é sintoma de fraqueza e do meu lado, só preciso quero os fortes, os vivos que escaparam da morte, família é ter coragem de ser sozinho e fazer do mundo o seu parente mais próximo.

A Luz e a Sombra

Campinas, São Paulo, Dic-City; sim é uma metrópole do interior, mas a solidão paulista é territorial. Estou passando uns dias sem massagens….rola uma alegria tipo pique agonia e magoa, piro na melancolipoética, mas desde os vinte anos, sempre falei da solidão dos homens…

Minha mãe tem um trampo FDP, e estou á 20 dias com meu filho, somente ele e eu, uns parceiros, uns roles, mas a soma dos dias se resume em apenas ele e eu.

Ele tem dois anos e meio, esperto demais pra sua idade

Acabei de assistir na TV BRASIL, preicso pensar a respeito:

..rascunho de um samba

Eu escrevi isso numa fase tipo “Limbo”, nem lá, nem cá. Eu estava publicando coisas de um momento ruim,  eu costumo ser melancólico pra caralho, ligeiramente egoísta e costumo delirar quando estou feliz. Entre um dia e outro, entre diálogos sambísticos na internet, um desses momentos de felicidade passageira, carregados de pecado e solidão, pensei numa nega sambando. Apesar que só penso nessas coisas e nos meus exageros quando estou transbordando de alegria, sei lá, acho que não existe felicidade plena, não acredito na alegria constante. Eu nem defendo um tipo de alegria ou uma fórmula de felicidade não passageira, tudo que vivi até hoje sempre durou pouco, e a minha loucura sempre foi em descobrir a vida, nessa busca cotidiana. Eu tive sorte, parei pra ouvir uns coroas e tipo eles me diziam sempre: – Estou indo por ali, se quiser anda do lado.

Já fazem quase 16 anos que estou nessa caminhada, e a felicidade, me disse que ia chegar, ela sempre chega, e antes dela ir embora, vou chamar esse samba hoje, porque alguma coisa acontece no ar, pode vir Dona do Samba…acho que tu esta me procurando!

Dona do Samba no Samba,

Por ti carrego um bumbo,

Encouro um pandeiro,

E te combino numa sandália de prata,

Sempre tento te colocar num salto.

Tu és ligeira

Corre pela ladainha do meu verso,

Corre não, desliza.

Um bom partideiro,

Ou quem almeja ser um bom partideiro,

Num esquece uma ladeira, nem o deslize de um verso,

Não esquece a sandália

Não deixa de tocar bumbo

Muito menos , não chora numa bela cuíca

Pra ti eu guardo sempre uma nota

Quem sabe de ré, mi, faz um sol, anda, faz um sol!

E brilha aqui no lençol do meu sustenido

Basta me assoviar,

As suas notas estão todas aqui lhe esperando,

Estou completamente livre

pra te ver sambar…

ainda amava em Janeiro

“Ainda amava em Janeiro”
Foi a frase que pensei hoje, mas foram meus pensamentos sobre família, que cheguei a essa conclusão.
Pela manhã, como sempre, já pensava sobre isso na beira do rio em Alter do Chão em Santarém, não seriam 100 anos de solidão, mas as tristezas de domingos, me faziam pensar nos próximos anos de prazer que gostaria de ter.

——————————————-

eu sonho sempre com domingos
de dias
de janeiros perfeitos
a gente acorda
um jeito
daquele jeito

sei o que tu queres
e você sabe o que eu espero
algumas horas de amor
um beat no stereo
um sorriso preciso
satisfação no infinito

mais um pouco
te deixo dormindo
vou ver as crianças
quero um dia lindo
quero um dia lindo

manhãs de domingo

XINGU

25 de março de 2011

Há um mês fiz 31 anos, estava com meu filho, estava feliz come ele, mas chorei muito.

Hoje começo uma jornada, a busca da cura, onde pretendo preparar meu coração para pensar em amar.

A decepção de uma mentira de quem amei demais, petrificou meu peito e agora parto pelo rio , na baía do Guamá na pobreza de um paulista que observa a cidade se distanciando e as luzes minguando. Aqui minhas lágrimas não fazem sentido, o rio se encarrega da abundancia.

Amanhã deixo meus dreads no primeiros raios de sol, pretendo renascer.

26 de Março de 2011

Ainda não joguei os dreads no rio, vou aguardar o por do sol. Estou deitado em minha rede, bem na beira da balsa, onde o sol entrou rasgando esta manha, sem se preocupar com as minhas lágrimas. Sorte a dele, meu olhos secaram e a ele lhe resta as águas do rio por onde estamos passando.

Oxum com sua marra e seu capricho matou Oxossi e pagou por isso quando viu a cara de Oxossi na face de Logun-Edé, seu filho….não sei sobre as regras, mas entendo a poesia natural dos Orixás. Talvez por isso eu jogue uma parte dos meus dreads no Rio Xingu. Acredito na simbologia dos meus ancestrais, dando sentido a ela, que sabe eu possa dormir novamente e viver novamente, sem pensar nessas ultimas mentiras. Quem somos, o que fazemos, onde queremos ir, atualmente só penso no quanto fui enganado, sem saber a quanto tempo isso durou, uma mentira pode durar por anos, mas….preciso me livrar delas…..

26 de Março de 2011

Eu conto as horas, os minutos, os segundos, eu só vejo aguá e floresta, barcos e balsas e as crianças das águas, são muitas crianças e me sinto nada perto disso tudo.
Meu conforto na solidão desse rio é pensar em Ébano e o quanto um sorriso dele agora, seria bom.

26 de Março de 2011

Não sei quanto você mentiu, apenas lembro, apenas penso.
Quantas vezes eu te liguei, quantas vezes você disse; te esperei. Disse que me amava e e não podia mais me esperar, mais não se preocupe, um carnaval sem beijo, um carnaval sem corpos, só preciso caminhar, só preciso navegar….eu idiota me conformei, acreditei. Eu também te esperei, foi a minha vez, eu te amava e em quatro dias, o carnaval iria ter fim, quarta-feira de cinza iria chegar. Mas nem tudo iria se salvar, você já pertencia a outro falar, um falar da mentira, do engano, da pena, do dó, seu corpo mentia e eu já seria e sou um homem só, sozinho. Sem você, sem nada, sem ninguém, com quantas mentiras você me fez refém, do desejo, da vontade, da ilusão de ser feliz com alguém. não pode ser tarde, o carnaval vai voltar ano que vem e até lá, eu te apaguei.

27 de março de 2011

Faz algum tempo que eu desejo um domingo, um estilo família brasileira, dia de churrasco, batata-doce, rúcula, macarrão.

Foda…meu ideal de Família é uma merda.

Meus domingos de verão foram, choro, solidão e tristeza. Salvo os programas do Esquenta e salvo alguns que estive em Campinas com a Família Expresso, ou com a Família Tainã em Campinas.

Estou feliz que as águas de março fecharam esse verão, foi pura ossada, estava desde sexta numa Balsa, atravessando os rios da amazônia, pra chegar aqui em Porto de Moz.

Sai de Belém umas 18h na sexta, e cheguei hoje, domingo, umas 10:30 da manhã. Um amigo veio me receber, me colocou num Hotel e disse que voltava mais tarde.

Hoje é domingo, dia de almoçar só.

Fechado num quarto de hotel, hoje é o ultimo dia do programa da Regina Casé, o Esquenta, nunca vi tanto preto e preta na Rede Globo, achei massa, achei que o Samba voltou pra TV, o samba no Brasil é o sobrenome da Mãe Africa, ele merecia.

Mas também achei que podia ter trazido seu irmão, o RAP, senti falta do RAP, Rap de Negão, Rap da Favela, mas tenho fé de que, quem é do RAP se inspirou vendo os velha-guarda do Samba, assim espero, assim tenho fé.

Eu assisto esse programa e choro pra caramba, fico sacando a história do povo humilde, os filhos sem pai, as alegrias de um avô, as benção dos mais velhos e a tentativa de conviver em paz com tanto diferença.

Meu filho está a mais de 3000km de distancia, infelizmente o respeito que tinha pela mãe dele chegou ao fim e eu lamento que meu filho esteja no meio dessas decepções. A saudade dobra nos domingos e quando assisto esses programas eu desmancho….esses dias pensei em escrever mil coisas, minha mente não tem descansado, e sempre que chega a depressão, fico e penso em argumentos, heróis, histórias, penso nos mestres, nas vitórias….tenho que fazer isso bem rápido e esperar o dia passar rápido também, porque a qualquer instante a tristeza vem me visitar, basta me pegar sozinho e calado….

vou até o bar…ver as pessoas na rua

hoje num dá mais pra continuar….

31 de Março de 2011

São 6 horas de barco até Souzel, saindo de Porto de Moz.
Penso em coisa fina, tudo combina,
Luiz Melodia, minha sintonia
cheiro de terra
casa de madeira..

….neguitim amado!!!

tantas…

e todas as cores
não são desse dia
e quantos amores
não são desse peito

qual é a minha chance
contra o meu espelho?

não vou negar
eu tenho medo
eu tenho muito medo.

qual será o domingo?
isso, o domingo,
aquele que você disse
que me beijou
é, eu lembro
eu lembrarei
de tudo
de todos os beijos
e todos os sonhos
eu não menti
mas se for
pra viver
não vou te pedir mais nada

hoje eu fui até onde não consegui
cortei a corrente
nunca achei que seria possível

abalei minha fé
e pra não morrer de solidão
afogado na tristeza,

eu sai contigo

no corre.

um dia meu truta Riva Rock disse que o Dizzy tava preocupado com os brasileiros piando na gringa,

hoje em dia fico pensando e estudando pra ser um desses brasileiros,

só que brazuca-africano né…do @Diccity……

essas minas e esses pelas não sabem que o baguiu é muito além das mentiras,

muito além das minhas tristezas,

o baguiu é 100% rua…

100% pretinhosidade…..

sim, a pele é o mais profundo

 

meus dias

O sol nem saiu,
mas religiosamente leio um conto de Clarisse Lispector, “Aprendendo a Viver”.
Nas palavras dela, tento encontrar um sinal, uma marca, uma inspiração, faz dez dias que a leio, são dez contos e até aqui só achei a poesia.
Não menosprezo a poesia, mas sei que ela não me basta,
nessa vida é preciso ter paixão, ardência, sobretudo amor…

Achei um amigo, um parceiro, ele tem me acompanhado.
Para responde-lo a altura, ando relendo Vinícius,
sei que ele já foi seu amigo
e submerso em seu distilante hálito
vagou por anos em busca de preencher um vazio,
como um menino, como uma brisa
buscava a ventania de uma paixão
casou-se nove vezes
e acho que ele morria de medo de morrer sozinho
Enfim, eu sei que pode ser muita ousadia da minha parte
me comparar com Vinícius,
mas me identifico em seus afro-atos-hábitos

Hoje eu falei com meu filho,
tentei parecer forte, sorridente e altivo,
Deus, como ele esta lindo, como ele esta vivo….

PUTA QUE PARIU QUE CARA VIVO E LINDO!

a web não preenche esse amor
bastou desligar e tudo veio ao chão
chorei por dez minutos, olhando sua foto
foram apenas dez
e em um trago refiz meus pedaços,
ainda era manhã, mas já estava com o meu melhor amigo
meu drink

Após algumas doses
consegui retirar isso dele (drink)
foi como uma oração
foi um fragmento da minha fé:

e quando o meu mundo ta caindo meu trutinha
e quando não sobra nada, nem eu, nem nada
e quando a lua não sai
e as estrelas estão apagadas
e o sol não invade meu quarto
e a minha fé eu misturo com wisky
e mudo de humor num salto
e quando quero desistir de tudo
e quando tudo fica mudo
e quando nem sussurro
e quando acho que Deus, Santos e Orixás me fecharam a janela
e quando eu a xingo, e odeio toda ela
minha vida, o corre, a rua, a amada e a minha maldita lágrima
eu apelo pra sua imagem
para esse sorriso
e nele eu tento
e como tento meu trutinha
no seu sorriso eu faço um talismã
necessário, preciso
no seu sorriso eu tento virar Deus
Deus pai
Deus filho
e nele eu percebo que preciso aprender a ser homem
e encarar o que vier
seja que tamanho for
obrigado por existir
por isso
és o meu Rei
Rei Ébano Odara, a beleza do escuro
meu amor,
o único
o profundo

o caminho

Sabe, quando alguém quem tu amou muito e reza para amar menos um dia… é… tipo essas encrencas do coração e da traição. Assunto comum no peito dos sem peito de encarar um amor de perdão profundo.

Perdão?? Pra que mesmo???

Confusões de gente que ama pela superfície de uma baixa auto-estima e na fissura de se descobrir, abandona o sagrado lado de um amor, se entrega a falsa proteção de uma mentira. Se acha livre encontrando novas portas, novas curvas, novos corpos, fugas cinzas de quarta-feira  cinza.

Pesado né? Não, não é, vista a minha vida, quem sabe tu…..

A(S) pessoa(S) ou seria esse ser(ES)? Para não ser teria que acreditar em você ! De todos os tempos, o olhar seria a pedra mágica de um feitiço suave e lindo. Olhares de uma roda de tambor ou de uma estação de trem, dezenas de noites de amor e uma só missão. As declarações, as entregas, as decepções, acreditar em outro mundo, construir esse mundo, não era febre de uma juventude, era certeza de combate á um  sistema falido e as baquetas e o amor seriam as armas pra vencer essas batalhas

Hoje é simples e fácil dizer que teu caminho está errado, que tu se preocupa e faz demais pelos outros, esquece de você mesmo e tudo aquilo que tu faz há quase 16 anos foi em vão.

O mundo muda para alguns, o mundo não muda para outros e  tu se questiona, se pergunta e percebe que o caminho dessa sabedoria, a sabedoria de sonhar e pensar em um novo mundo , é um caminho solitário……

Hoje em dia  tudo que tenho pra fazer é estudar e trabalhar muito. Não para provar nada, mas porque  fui selecionado entre poucos na harmonia celestial africana.

Auto-estima demais?Egocentrismo? Eu sei o meu tamanho, o tamanho do meu sonho e na humildade eu sei que faço a diferença, eu não vim em vão e faço bem o que desejo.

Porque um dia eu  despertei de um planeta comum e pálido. Porque um dia, alguns homens negros de cabelos crespos me disseram que a família do homem negro é o mundo, a família de um africano é o universo.

Assim como vários outros irmãos, eu não tenho criado meu filho, a distância física e o algo mais,  e sempre existe algo mais, tem me impedindo. Mas além das missões que já tenho, ter um lar, e um canto para ele é o meu objetivo. Quero deixar um mundo e um pai que ele possa se orgulhar, não um Zé Mané. Hoje eu  quero , eu exijo de mim, eu penso e fantasio que um dia ele possa sorrir e dizer que me ama e num abraço verdadeiro e profundo saiba que quando eu estava com ele, eu estava inteiro e quando não estava, estava fazendo do mundo um lugar melhor. Porque foi isso meu pai não me ensinou, ele estava no bar e a rua me educou.

Mas Jah-Olorum é sábio e mandou outros homens para me ensinar, foi isso que aprendi com os velhos mestres.

A saudade me aperta, me tira o folego, a sanidade, a paciência, são escolhas inumanas, são escolhas que a vida te coloca e tu acaba por se perder ou se achar.

Não existem justificativas, não existem saídas, o risco é certo e terei que pagar por isso, não me resta dúvida.

Mas se tu acha que tua caminhada é certa….quem sabe lá na frente tu tromba os seus iguais, sejam eles os descrentes ou os persistentes…..

——–

Ontem eu estava meio depressivo, fui até o escritório do Amazon Bboys e o mano Soldado- King Soldierman, um parceiro de recife me apresentou esse vídeo….eu entendi que era mais uma ação celestial e entendi que precisava ver, ouvir, sentir e me emocionar com aquilo.  Eu sou importante para a guerra do bem e do mal e sei que o bem briga pela minha alma.

Eles perderam mais uma, não vou desistir, não vou trair quem eu fui , quem eu sou!!

http://oficinademacacos.blogspot.com/2010/04/brasilintime.html

Treine o buscar, Treine o sorrir!!

Acho que alguns conhecem essa história, outros não, mas faz parte do meu mundo, um mundo que crio e recrio todo dia, prá não perder a fé, nem a poesia.

Um escritor chamado Neil Gaiman, criou os cinco perpétuos; Sonho, Morte, Delírio, Desejo, Destino. Eles fazem parte de um mundo encantado, um mundo mágico, cheio de símbolos e significados.

Eu não me lembro muito bem , faz muito tempo que li, mas lembro-me que houve uma reunião entre os Perpétuos. Sonho, o senhor dos sonhos carregava um erro em seu passado e era hora de corrigí-lo.  Sonho um dia se apaixonou por uma princesa africana chamada Nadah.
O Sonho teve um lindo caso de amor com ela, eles tiveram sonhos, lindos sonhos reais. Não me lembro bem do motivo, mas de certo era um motivo carregado de segredos, derrotas, promessas e desafios. Havia um inimigo chamado Lúcifer Estrela-da-Manhã que no roteiro dessa história, prende Nadah no inferno sob a tutela de um demônio.

Quando Sonho desce ao inferno pronto a confrontar Lúcifer pela alma de sua ex-amante, surpreende-se com ele que deixa a chave do inferno em sua mão dizendo-se cansado e pronto a abandonar sua responsabilidade com os portões do inferno. O Sonho passa a ser alvo de várias entidades que o procuram com o interesse de se apossarem do inferno.  Pelo visto o inferno valia muito e a ambição por ele era altíssima onde no inferno, quase todas as entidades do universo tiveram esse objetivo.

Não vou me prender á história exatamente, mas o frio de São Paulo que devo enfrentar nos próximos dias me trouxe essa história esta noite. Fiquei procurando partes da história na internet e percebi o quanto símbolos e fragmentos desse contexto se relacionam comigo; O Sonho desce ao inferno em busca de um amor chamada Nadah, o Sonho é irmão do Destino, do Delírio, da Morte e do Desejo. Nadah é uma princesa africana, Lúcifer é a Estrela da Manhã.

Vocês podem até achar que é viagem, que é loucura buscar relação numa história de quadrinhos, mas minha sensibilidade anda cada vez mais á flor da pele, pensar em ir para o frio de São Paulo é pensar em descer ao inferno, não quero desprezar o lugar de onde vim, mas andei em busca de um lugar mais calmo e achei, esse lugar é a Amazônia. Minha saudade e o meu desespero em não achar equilíbrio entre o ser-homem e o ser-pai ainda é um conflito atual, melhor resolvido, é claro. O tempo continua sendo rei, mas ainda tenho muito que caminhar prá conseguir sorrir de graça para quem merece em ser merecido por alguém.

O meu Nadah se chama Ébano, e ele é sagrado. A distância me castiga muito. Além dele ainda existem alguns problemas que complementam uma ex-relação . ” Melhores amigos se tornam estranhos”.

É! A vida me pregou mais essa, mas vou vivendo e pedindo mais poesia, mais sonho, mais vida e mais desejo de vida.

Deixo aqui hoje os meu sonhos e os seus guardiões, a Casa Preta tem se fortalecido enquanto sentimento, enquanto luta, enquanto esperança. Sinto uma grande energia no momento não me deixando minguar, uma energia me impulsionando, me levando, me conduzindo prás coisas que sempre busquei. Ébano é o meu talismã, tê-lo por perto nesses pŕoximos dias é chama-lo de Nilo, meu Rio Nilo, meu Rio Ébano, onde preciso mergulhar o meu coração, mergulhar a minha joia em suas águas, em nossos sentimentos renovar essa energia, repensar, recriar . Um momento que exige forças, sei que não será fácil, mas tenho certeza que daqui um mês, quando mais esse tempo for consumido, estarei mais forte, mais vivo, mais feliz e quem sabe mais próximo de sorrir por muito mais tempo.

Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 1.700 vezes em 2011. Se fosse um bonde, eram precisas 28 viagens para as transportar.

Clique aqui para ver o relatório completo

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