Epã (Escuta)

versangue

o mestre diz que é tempo de revelação
mais nem sempre é bom, nem sempre agrada.
o mundão se planeja, quer meu fim,
ele se revela, por ele, para mim.
eu saio da janela,
a rua me chama,
a estrada me ama,
coração vadio, vandalo, responsa vagueia e clama.
a vida me norteia,
norte minha saudade, minha teia
movimento
de coma
respirando como escravo e rosa
de cama.
um terço, um acorde, meu acordo forte
morte e vida, vida e morte.
a areia do tempo se move
se transforma no paradigma das alquimias
onde tudo que sobe, é o mesmo que desce
e o que esta no alto é o mesmo que está embaixo.
na busca, ainda no tempo, ainda no jogo
o breu que refletias, ancestrais, e guias
o caminho se abre e lhe sente
segue a regra necessária de ifá e exú
o herói entre a esperança e a matança,
da hipocrisia de pertencer ao ciclo dessa dança
o ladrão sem maldade, o coração e a vaidade
a nobreza em assumir sua verdade
em terras e linguas que foram tomadas
de corpos e pensamento violados
mais nossa alma não foi levada
é branca a cor da paz calada
a coroa se fez e se faz negra
meu compromisso, meu filho
determinado.

1 Comentário »

  natacha wrote @

É Perna………sentia isso em vc, só n sabai que ia além, o tão profundo que as palavras podem ser, vc fez dessa friesa das letras, algo que aquece a quem lê…..parabéns, surpreendendo quem crusa os seus caminhos…


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