Se eu pudesse realizaria agora. Eu voltaria para um passado recente, tipo onze anos atrás. Se eu pudesse queria estar no meio de uma batucada, uma pá de gente conhecida, sorrisos especiais. Sentir o arrepio do começo de uma Loa. Vibrar até o final do baque, suado e cantado. Era lá que eu queria estar . Onde, a paixão era artigo de luxo para se morar ou viver dentro de um banheiro cultural. O amor não doía tanto. Os tambores preenchiam a sede, a ardência, a loucura de ser embalado pela fé.
A fé também não era artigo de luxo, mas era a válvula que pulsava a vida. Apesar dos cabelos brancos e do tempo, ainda hoje ela, a fé é a minha única arma atualmente. No fundo de tudo, do que sinto saudade mesmo, não é daquela casa, daquela batucada, mas sim de todas as batucadas que vivemos em mim ou em ti ou em nós. Eu sinto saudades dos meus outros “eus” , dos seus outros “eus”, e tudo que sinto saudade é vivo e me permite me sankofar.Eu posso voltar, mas não posso perder a fé, não posso perder nada.
A nossa sintonia é a sintonia do universo, é a sintonia da natureza e nossa certeza não é escrita, nem desenhada, nem falada. Ela é vivida. Por isso agora eu estou contigo e principalmente comigo.
Quando os nossos tambores zoou
E a dama de paço girou
Meu estandarte brilhou
Porque sou Nação Nagô
Vem Nação Estrela Brilhante cantar
Bate forte os nossos tambores
Rufa a caixa, mineiro e ganzá
Joventina Erundina não deixa o tambor se calar
Mestre Walter- Nossos Tambores -
Nação de Maracatu Estrela Brilhante

dentro de mim vive um pássaro azul… saudade!
pra pracatá tá!
pra pracatá tá….pra pracatá pracatá pratacá ta…
TUM!