Ato1
O caminhos de um preto velho ou de um velho preto é sempre o mesmo. Sempre é do mesmo jeito. Um tipo escuro, magro, de barba por fazer, os fios brancos são aos montes, se perdem entre o rosto e as dredas que lhe cobrem a cabeça. Quem olha de longe pensa que ele está sozinho, admira, e respeita e a comodidade desperta esse “achismo”. Acham que ele está só.
Já fazem quase quinze anos e venho aprendendo um pouco sobre a loucura dos Griots. Sua busca, seus pensamentos, sua forma de ver e ser o mundo que precisa. Em todas as palavras que esse Griot, esse velho preto ou esse preto velho, me disse, eu acredito. Talvez seja porque também acho que dizem o mesmo sobre mim.
Para os outros, o egoísmo sempre será uma explicação. E a verdade é que não há egoísmo. “A gente nunca está sozinho. A gente sempre está com a gente mesmo.”
Eu estou comigo mesmo. Por mais dificuldades, tristezas ou fome, a gente não sai do nosso caminho, da nossa trilha. Todos precisam fazer sua própria trilha. Eu já saí de algum lugar um dia, saí para pensar e atuar na minha trilha. Quem sabe, ser um Griot um dia, ser um velho preto ou um preto velho, melhor.
Às vezes a gente olha prá gente mesmo e não vê tristeza. Eu olho para os nossos pretos velhos ou nossos velhos pretos e vejo apenas um certo desapontamento porque poucas pessoas enxergam o que ele enxerga. Sinto isso com os olhos assim como, na mesma medida, eu sei que ele está com ele mesmo e nisso vejo tranquilidade
O homem livre, planta baobás. Ele cuida da sua terra, do seu bichos, ele caminha pelo mundo quando é chamado, ele fala e vive o que deseja, ele volta para sua casa, ele tem filhos, ele tem família. É dessa forma que vejo os pretos velhos ou os velhos pretos desse mundo, presto atenção, para cometer outros erros, encontrar outros acertos, buscar o cada um que me cabe.
Ato2
Tem certos tipos de amor, tipo caderno ortográfico. Sabes? Passa-se mais tempo para tentar corrigir alguma coisa do que curtindo o que já está duplamente combinado e corrigido.
O amor que sentimos nesse mundo é muito órfão de referência. Deixar de ser para amar, amar e deixar de ser. Pensar nas complementações de cada um, cada um com seu interior. Até que ponto precisamos ser completos? Ser completos prá quem ?
Hoje em dia enxergo o grande segredo. Procuro essa linha quase invisível. Posso confessar todos os meu pecados. Eu aprendi isso. Posso ter todos os corpos, todos os drinks, posso ter todas as festas. Eu já tive algumas realizações pessoais. Mas nada se compara com a minha capacidade de sonhar em ter meu filho “no meu corre, um corre que acredito que é maior do que eu, do que ele ou noiz.”
Se tu amas, ama quanto? Tem definição? Está disposto a mudar por isso? Eu não aconselho. Mas tente, viva! Estude as possibilidades. Não existe felicidade plena, existem gotas de felicidades, e tem horas que a torneira fecha.
Eu sei da poesia de entender , as escolhas e o tempo do mundo, quase o mesmo tanto que entendo e sei o que é solidão. Sabedoria demais prá se viver sozinho é não sair do lugar.
Obs: Esses dois textos já estavam semi-pensados-anotados (costumo anotar palavras chaves de assuntos que quero escrever) . Eu os usei eles aqui baseado numa conversa com minha querida e amada amiga Mari Valença. Sempre é muito bom falar com ela, positividade nordestina.
