domingo….

kunta1

e são tantas coisas…
que preciso demais desabafar
ouvir aquele som que na batida repetida
ainda que midia-sem-ativa me faz pensar
no compasso desse passo, nesse lapso de fumaça
não consigo mais nada, além de caminhar
uso da palavra do vazio que meu amigo silencio aos finais de semana quer me soprar
trazido do alto, pelo rio sem margem, do meu banzo de(mente)
uma oração a mãe preta, meu solo sagrado, o menino sente
soul queria demais desabafar…
longe demais do meu novo coração
longe demais da minha mais nova criação
espero a cada dia o tempo me abater e me carregar em sua mão
que ele me compense cada sorriso e cada choro que perdi
até o tempo voltar a ter ternura,
onde não preciso mais partir
te apresento ao mundo
nada é maior que você
meu viver é o seu existir
eu contigo, tu comigo
é só sentir….

kunta

então…

101_1420então….
meio sem fala
meio sem jeito
meio sem saber
sem olhar
mais…..
certeza no sentir
certeza no saber
tempo curto
tempo bom
beijo longo
beijo curto
calor na imensidão
o pensamento
o momento
o coração bate pesado
forte por dentro
coisas
nossas coisas
nossas causas
nossos casos
nosso silêncio
nossa vida
nossas vidas
segue o cortejo
e boa fé
de boa lembrança
de boa história
de boa memória
no peito
no feito
da alma dizer

nosso jeito……

gente

panorama observativo

homem azul

aqui na selva cinza
louco de pedra e cimento
respiro, sigo e observo
de dentro
do movimento
da curva
do abraço
da necessidade
de sentir e querer amor

vivo o tempo do sem tempo
vivo o instante da fé e da dor
sei que o medo norteia e se mistura
entre o segredo e a verdade…
…aceita uma flor?

mais não esqueço
a origem
o sangue
a batalha
a pele de quem fere
e de quem é ferido
do beijo da morte
do beijo esquecido

vivo meu tempo de guerra
vivo meu tempo de morte
vida-morte-vida
meu esqueleto mulher suicida
arquétipo psico-coisa
livro e amor de um beijo roubado
no instante, na estante
que ela se decida
quanto vale, pesa ou reza
qualquer vaidade ou necessidade
que me faz
que te faz
peito amazonida

Epã (Escuta)

versangue

o mestre diz que é tempo de revelação
mais nem sempre é bom, nem sempre agrada.
o mundão se planeja, quer meu fim,
ele se revela, por ele, para mim.
eu saio da janela,
a rua me chama,
a estrada me ama,
coração vadio, vandalo, responsa vagueia e clama.
a vida me norteia,
norte minha saudade, minha teia
movimento
de coma
respirando como escravo e rosa
de cama.
um terço, um acorde, meu acordo forte
morte e vida, vida e morte.
a areia do tempo se move
se transforma no paradigma das alquimias
onde tudo que sobe, é o mesmo que desce
e o que esta no alto é o mesmo que está embaixo.
na busca, ainda no tempo, ainda no jogo
o breu que refletias, ancestrais, e guias
o caminho se abre e lhe sente
segue a regra necessária de ifá e exú
o herói entre a esperança e a matança,
da hipocrisia de pertencer ao ciclo dessa dança
o ladrão sem maldade, o coração e a vaidade
a nobreza em assumir sua verdade
em terras e linguas que foram tomadas
de corpos e pensamento violados
mais nossa alma não foi levada
é branca a cor da paz calada
a coroa se fez e se faz negra
meu compromisso, meu filho
determinado.

toque gentil

gentilidade do mundão em testar a minha fé
gentilidade em olhar no olho e saber o que quer
o ambiente é perigoso, segue a marcha do destino
resta apenas o meu escudo africano
a minha mente que voa e tem mil planos
e o sono que vem a pé,
a mãe e o pai maior me chama
a vida do justo na quebrada se soma
um rei precisa se criar
devagar com o meu tempo
e o seu desejo
em romper com a rotina
e brincar de fazer rima
na rua, ontem criado
agora tem sua cria
aceno para o fogo
levo as sementes
peço proteção
antes de sair de casa
pego a minha guia
minha baqueta
minha toca
meu tambor,
seguro na sua mão

seu nome é Ébano

a responsa
a fé
a atitude
a escolha
o olho no olho
magnitude
a esperança
a certeza
a luta
a guerra
a vitória
o guerreiro
maior que tempo

meu compasso….

ÉBANO

história preta

esse dias evitei escrever…
queria escrever sorriso e alegria
queria….quero…vair rolar.

passei a manhã escolhendo uma trilha,
que me desse paz
que me desse sossego
não achei.

lembrei q o brown ouve 2pac
quando o clima esta tenso…por dentro…bem dentro.
lembrei q marley ouvia eleanor rigby…
nada disso eu quis, também não procurei
mais pensei no mundo, nos irmãos,
me deu saudade de qualquer lugar,
de qualquer pessoa
de não sei onde
mais no final lembrei de teresina
lembrei que preciso estar de pé
coloquei Afronto no play
primeira faixa, me arrepiei
não descolei a paz
mais desenrolei a fé
história preta…já estou de pé
minha mãe estava na sala
ouviu uma, duas, tres faixas
…-ouviu ai mamãe?
…-é meu filho, olha aqui…me arrepiou!
sintonia é foda…papo de mãe e filho
já me sinto melhor…
mamãe não se aceita como morena
se assume como preta
mulher preta
orgulho preto, mnha história preta
o dia já não é perdido
a sexta já me dá boa noite,
no estilo,
leve sorriso,
é…foi de improviso

obs:
meu lado oriente ainda treme
grudo nele nessa solidão do caralho dessa porra de concreto….selva de aço!

jazz

Quando eu paro e lembro, do momento,
daquela dor e porque não, daquele amor.
Fico achando que sei o que é,
fico pensando…ainda pode ser?
sei lá, o que será?
Solidão encubada,
medo de deixar de ser util,
ela insiste,
opção pra ser inutil,
medo de uma vida vadia,
vitima da futilidades do dia a dia.
a gente se engana, a gente vive esse abril
a gente vive amando
paixão de instante
calor de febre
escorre a brea
liga o ar
é variante
nessas horas, onde a verdade é nitida
o conforto escuro é o que eu preciso.
queria poder falar mais disso
mais o jazz logo vem me silenciar
ai eu interfono o meu umbigo
tudo parece estar bem, finjo ser amigo
mais ela sabe, a dor vem
a trilha sonora não me abandona
eu sigo a sina,
eu sei o que não soma
eu não sei viver
sem pensar em viver
eu não sei dizer
devoto do odio por prazer
ela tem a caixa
eu tenho o bombo
eu não me deito com ela
mais se pá
cortejo favela
o olhar que me devora
trompete e pandeiro
meu jazz…
debruçado na janela
esperando o proximo dia
é aurora
é logo mais
minha modéstia boemia

soul

…tarde da noite, me ligo…
…chamada ocupada….
…outra hora…
preciso de onze minutos
quase roubado, quase…sempre quase.
onze?? pode cre, é meu sinal, minha sina…
fora de area…tá foda…
procuro lá dentro,
o fundo, o escuro,
aqui mesmo, no profundo….
passo dias e passo noites
a missão não acaba
o mundão me encara
eu to com o bando
armado pra batalha
o pela-saco me pergunta se sou da banda
eu falo que soul do bando
mordo sua cabeça com o olho
ele não encara
ele morre de medo
ele ja morreu, faz tempo
foi cedo…
mal sabe, nunca soube
ainda seremos muitos
a nossa tese é prática
nosso mestrado é escuro
a nossa certeza é de ferro
machado ou bala, as Glock, terçado ou Fal
a próxima fase poderá ser traumatica
ela não entende
elas não me entendem
eles me ouvem
eu me esqueço
eu quase paro,…sempre quase…
sempre penso,
sinto saudade,
penso se é verdade
pra mim, pra ela, pra guerra, pro mundo,
meu filho quem nem sei que cara vai ter
pros detalhes, pras savanas
exijo meu proceder
tenho fé, isso ela não pode me tirar
sou que sou, vivo o que falo
dinovo dentro
peço benção
peço proteção
peço luta
peço decisão
mais eu decido
mais eu vim de lá
tudo era uma outra coisa
e agora veja
como tudo está?

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